Josué Geraldo Botura do Carmo
2013
Segundo Carmo (2013 s/p) vive-se em um momento de transição e transformação. Desloca-se da cultura modernista do cálculo para a cultura pós-moderna da simulação, e do raciocínio lógico para a intuição, a capacidade de prever possibilidades. Sente-se a necessidade premente de novos métodos, novas técnicas e novos instrumentos de investigação para atender as novas crenças e novos valores.
O professor, ainda segundo o autor, além de poder recorrer a estudos históricos, antropológicos, sociológicos, dentre outros, tem em suas mãos o empirismo da observação da sala de aula, e em uma visão mais ampla, todo o espaço escolar e ainda a comunidade. E essa reflexão através da análise e interpretação do fenômeno pode vir a contribuir para um ensino-aprendizagem de melhor qualidade. E essa reflexão da realidade social, envolvendo questões culturais, econômicas e políticas, poderá solicitar um redesenho da sala da aula e da escola tanto no campo físico, como no estrutural e organizacional.
Partindo-se do fundamento socrático de que a educação é reflexão, fica a questão: como otimizar essa reflexão? E vem em mente uma possível resposta: através da interdisciplinaridade que vai possibilitar uma reflexão sem limites estabelecidos. Mas como trabalhar a interdisciplinaridade com eficiência? Talvez o trabalho com projetos e a utilização de recursos multimídia poderão favorecer um trabalho interdisciplinar.
Nessa perspectiva, o professor não deve imiscuir-se com a escola. Não existe a “minha” escola e nem a “nossa” escola, existe “a” escola. Para ser um bom educador é essencial que não se sinta parte da instituição. Em momento algum, desde o planejamento até a avaliação não se pode sentir-se como eu e nem como nós. O professor para poder saber levar a reflexão deve estar de fora, observando toda a movimentação do corpo docente, discente e administrativo. Assim terá subsídios para questionamentos que levam à reflexão. O fato de estar de fora poderá contribuir para a qualidade da interferência. É uma forma de se conseguir um trabalho com maior objetividade e em consequência disso, com menor subjetividade. Objetividade e subjetividade são apenas modelos. O que há são trabalhos com mais objetividade e menos subjetividade e vice-versa.
Nessa visão o professor é um observador, é um cientista social em constante pesquisa pedagógica: levantando questões, formulando hipóteses, observando, recolhendo material, fazendo tabulações, tirando conclusões e compartilhando com a comunidade escolar, contudo sempre, sem sentir-se parte dessa comunidade para evitar influências que podem interferir no trabalho de pesquisa.
São os estudantes que elaboram seus projetos escolhendo o tema do interesse de cada um, levantam questões a serem respondidas, formulam hipóteses, recolhem material, fazem tabulações, tiram suas conclusões e compartilham com a comunidade escolar, utilizando dos recursos que possuem e sabem usar. O professor observa. Observa e induz a reflexões para crescimento do trabalho e do ser. E a avaliação nada mais é que a reflexão do professor do quanto ele foi capaz de levar o outro à reflexão. E o professor responde ao questionamento do estudante sempre que solicitado. E a resposta é dada diretamente a quem perguntou, ao interessado pela resposta. É um trabalho personalizado, com atividades contextualizadas.
Interdisciplinaridade
A intedisciplinaridade vai muito além das disciplinas
tradicionais do currículo escolar: Língua Portuguesa, Matemática, História,
Geografia, Ciências, Artes, Física, Biologia, Química... A interdisciplinaridade vai muito além das ciências exatas e das
ciências humanas, além do raciocínio indutivo e dedutivo, dando ênfase ao
raciocínio analógico. Se antes se falava de uma interdisciplinaridade no campo
epistemológico, no campo da teoria, e que se pensava apenas em um currículo
interdisciplinar; hoje já se fala de uma interdisciplinaridade no campo
antropológico, no campo da prática, de ações didáticas e pedagógicas,
envolvendo tanto o plano de curso como o plano de aula.
O conhecimento é construído em uma relação com o
social, o natural e o cultural, de uma forma global, numa rede infinita de
relações complexas que lhe dá sentido e significado. Essa consciência da
realidade se constrói num processo de interpretação dos diferentes campos do
saber, daí a necessidade da confrontação de olhares plurais na observação da
situação de aprendizagem.
Para Carlos (2013) interdisciplinaridade significa a
interatividade entre as disciplinas ou áreas do saber. Há nessa metodologia
cooperação e diálogo entre as disciplinas do conhecimento, na perspectiva de se
responder às questões e aos problemas sociais contemporâneos.
Para Valério (2010) a interdisciplinaridade é como um movimento que
possibilita o diálogo entre os seres humanos e os saberes. Ela favorece a
abertura do olhar em direção a um mundo cada vez mais complexo e globalizado.
Através dela pode-se fazer uma leitura de mundo que favorece a compreensão do
mundo de uma maneira integral e total, num processo de reflexão e reformulação
contínua. E essa reflexão sobre a realidade propicia a construção de sujeitos
produtores de história e cultura.
Para Varella (2010) só se adquire autoconhecimento e participação com o
outro através da livre expressão.
Para Ferreira (2010) a interdisciplinaridade é a abertura ao diálogo com
o próprio conhecimento e se aprende praticando ou vivendo.
Na metodologia interdisciplinar o conhecimento é provisório e incompleto,
está sempre em construção, e a avaliação é um processo contínuo em que a ênfase
é na hipótese e não no certo ou errado. Nessa concepção de avaliação, tanto os
estudantes, como os professores e a instituição escolar têm a possibilidade de
rever a sua prática constantemente.
TEXTO EM CONSTRUÇÃO
REFERÊNCIAS
CARLOS, Jairo Gonçalves. Interdisciplinaridade no Ensino Médio: desafios e potencialidades.
Disponível em <http://cursos.unipampa.edu.br/cursos/ppge/files/2010/11/interdiscipllinaridade1.pdf>.
Acesso em 3 mar 2013.
CARMO, Josué Geraldo Botura do. Pesquisa Pedagógica.
Educação&Literatura. 2011. Disponível em
<http://educacaoliteratura.com.br/index%20202.htm> Acesso em 10 Fev.
2013.
FAZENDA, Ivani Catarina Arantes. KIECKHOEFEL, Leomar. PEREIRA, Luiza Percevallis. SOARES, Arlete Zanetti. Avaliação e
interdisciplinaridade. In: Interdisciplinaridade. R. Interd., São Paulo, Volume 1, número 0, p.23-37, Out, 2010.
Disponível em
<http://www.pucsp.br/gepi/downloads/revista_gepi_201011.pdf>.Acesso
em 3 mar. 2013.
FERREIRA, Nali Rosa Silva. Currículo: Espaço interdisciplinar de
experiências formadoras do professor da escola de educação básica. In:
Interdisciplinaridade. R. Interd.,
São Paulo, Volume 1, número 0, p.11-22, Out, 2010. Disponível em
<http://www.pucsp.br/gepi/downloads/revista_gepi_201011.pdf>.Acesso
em 3 mar. 2013.
FUNDAÇÃO Darcy Ribeiro. Interdisciplinaridade. Disponível em <http://www.fundar.org.br/temas/texto__7.htm>.
Acesso em 3 mar. 2013.
VALÉRIO, Rosangela Almeida. Ilustração do texto verbal: uma leitura
interdisciplinar. In: Interdisciplinaridade. R. Interd., São Paulo, Volume 1, número 0, p.38-46-55, Out, 2010.
Disponível em
<http://www.pucsp.br/gepi/downloads/revista_gepi_201011.pdf>.Acesso
em 3 mar. 2013.
VARELLA, Ana Maria Ramos Sanchez. A resliliência e a
interdisciplinaridade. In: Interdisciplinaridade. R. Interd., São Paulo, Volume 1, número 0, p.38-44, Out, 2010.
Disponível em
<http://www.pucsp.br/gepi/downloads/revista_gepi_201011.pdf>.Acesso
em 3 mar. 2013.
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