quinta-feira, 27 de junho de 2013

DEPOIMENTO

Josué Geraldo Botura do Carmo[1]
junho/2013
O objetivo desse depoimento é o de alertar a todos para uma questão que merece a atenção no intuito de se iniciar uma observação sistemática de casos, através de uma pesquisa pedagógica. Serão relatados aqui dois casos presenciados em uma mesma escola, que podem nos levar a questionamentos. E a pergunta que fica é a seguinte: os estudantes têm dificuldade de leitura na vida real ou somente na escola? Vamos aos relatos.

No ano de 2011, desenvolveu-se em uma escola pública no bairro de São Benedito, município de Santa Luzia – MG, um projeto intitulado Nosso Ambiente[2], com estudantes de 5º ano/9. O objetivo principal desse projeto foi o de se iniciar com a ajuda da comunidade um material que propiciasse o estudo do bairro em seus aspectos históricos e geográficos, devido a escassez de material existente tanto impresso quanto digital, por ocasião de estudos do bairro na escola. Uma das atividades desenvolvidas no projeto foi a criação de maquetes pelos estudantes. No dia da apresentação desse material, enquanto os estudantes organizavam suas maquetes e se posicionavam para serem fotografados, foram espontaneamente explicando o trabalho de maneira muito eficiente.  A diretora da escola chegou para ver o material e os estudantes continuaram a exposição. Mas quando a professora chegou e falou: “Agora expliquem o que vocês fizeram”, houve um travamento no discurso que antes fluía com muita naturalidade. Um momento de silêncio aconteceu, e por fim uma fala artificial e insegura.

Em 2013, nessa mesma escola, no laboratório de informática, dois estudantes de 5º ano/9 ao assistirem ao filme curta metragem O céu de Iracema[3], um filme de ficção de Iziane Figueiras Mascarenhas, de 2002, de 12 min., produzido no Ceará, foram naturalmente fazendo a leitura da mídia em voz alta, utilizando de seus conhecimentos prévios e fazendo inferências, confirmando ou refutando suas hipóteses, e tirando conclusões. A leitura fluiu. Em outro dia ao serem convidados a fazerem a leitura de uma imagem simples, por um professor, esses mesmos estudantes não foram capazes de ler.
Pergunta-se, portanto, o que acontece? E ficam aqui somente as perguntas, porque ainda não se tem uma resposta sistematizada. A única coisa que se pode afirmar é que é necessário observar mais os estudantes para perceber como eles constroem o conhecimento, do que se permanecer numa postura de constante avaliação do conhecimento, com o objetivo de se apontar erros.



[1] Pedagogo com habilitação em Administração Escolar de 1º e 2º grau e Magistério das Matérias Pedagógicas de 2º grau. Professor Facilitador em Informática Aplicada à Educação pelo Proinfo -  MEC. Especialista em Mídias na Educação.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

SALA DE INFORMÁTICA APLICADA À EDUCAÇÃO X LABORATÓRIO DE INFORMÁTICA

maio/2013

Laboratório de informática - Escola Municipal "Maria das Graças
Teixeira Braga" Santa Luzia - MG. Ano 2012

No final do  Curso de Informática Aplicada à  Educação pela Secretaria de Estado da Educação, 1ª Superintendência Regional de Ensino de Belo Horizonte, Divisão de Dinamização da Ação Pedagógica, Núcleo de Tecnologia Educacional – MG-2 – Região Metropolitana de Belo Horizonte – MG,  no ano de 2001, o discurso tanto dos professores facilitadores do curso, quanto das autoridades que compareciam nos encontros, assim como durante o evento de entrega dos certificados, era um só: Sala de informática aplicada à educação. Esse termo viria a substituir o termo Laboratório de informática, usado nos anos iniciais do curso.

Usou-se esse termo: Sala de informática aplicada à educação durante doze anos, aproximadamente, e talvez porque era necessária a consolidação de uma base teórica, em um momento que se vivia ainda a era da informação. A comunicação ainda estava caminhando a passos lentos. E de repente entrou-se de maneira abrupta na era das conexões. Houve a integração e a convergência das mídias, a internet destacou-se não só no campo da informação, mas também, e mais ainda, sobressaiu em importância no campo da comunicação, revolucionando o social, o político, o cultural e o econômico.

E a Sala de informática aplicada à educação tornou-se em Laboratório de informática. Um ambiente ubíquo, pervasivo e senciente, em que os computadores em rede se comunicam, as tecnologias móveis, nômades e portáteis (notebooks, tablets, celulares) são levadas para dentro desse laboratório, e há transferência de dados através de CDs, DVDs, pen drives, bluetooth. Em uma explosão de interatividade e ânsia de comunicação desses jovens “nativos digitais”. E todos aprendem com todos, inclusive os professores, esses “imigrantes digitais” que vivem com saudade da pátria, no tempo em que eram o centro da informação. Nesse ambiente se busca informações, comunica-se, faz-se downloads, aprende-se a conviver com vírus cibernéticos. Lendo, escrevendo, contando, vive-se em um ambiente interdisciplinar por si só. E essa aventura não fica ali no laboratório de informática da escola, ela continua em casa, na lan house. Em um aperfeiçoamento constante da linguagem e do raciocínio, através de redes sociais, de jogos computacionais dos mais simples aos mais sofisticados onlines ou offlines, de informações científicas e jornalísticas. Com acesso à arte e à cultura “envernizada”, “mainstream”, ou “popular”

A comunicação acontece através de uma linguagem interdisciplinar envolvendo imagens estáticas e em movimento, vozes e outros sons, textos escritos, tabelas e gráficos. Pode-se afirmar que o vídeo representa o auge da comunicação nos dias de hoje.  É uma linguagem mais completa, e com status de bilateralidade, todos podem se comunicar através de vídeos, sem haver necessidade de grandes conhecimentos técnicos. São vídeos científicos, jornalísticos, artísticos, eróticos, humorísticos. Encontra-se na internet aulas das mais diversas, e até mesmo cursos completos, muitas vezes disponibilizados gratuitamente, por hackers.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

PESQUISA PEDAGÓGICA


Josué Geraldo Botura do Carmo
2013
Segundo Carmo (2013 s/p) vive-se em um momento de transição e transformação. Desloca-se da cultura modernista do cálculo para a cultura pós-moderna da simulação, e do raciocínio lógico para a intuição, a capacidade de prever possibilidades. Sente-se a necessidade premente de novos métodos, novas técnicas e novos instrumentos de investigação para atender as novas crenças e novos valores.

O professor, ainda segundo o autor, além de poder recorrer a estudos históricos, antropológicos, sociológicos, dentre outros, tem em suas mãos o empirismo da observação da sala de aula, e em uma visão mais ampla, todo o espaço escolar e ainda a comunidade. E essa reflexão através da análise e interpretação do fenômeno pode vir a contribuir para um ensino-aprendizagem de melhor qualidade. E essa reflexão da realidade social, envolvendo questões culturais, econômicas e políticas, poderá solicitar um redesenho da sala da aula e da escola tanto no campo físico, como no estrutural e organizacional.

Partindo-se do fundamento socrático de que a educação é reflexão, fica a questão: como otimizar essa reflexão? E vem em mente uma possível resposta: através da interdisciplinaridade que vai possibilitar uma reflexão sem limites estabelecidos. Mas como trabalhar a interdisciplinaridade com eficiência? Talvez o trabalho com projetos e a utilização de recursos multimídia poderão favorecer um trabalho interdisciplinar.
Nessa perspectiva, o professor não deve imiscuir-se com a escola. Não existe a “minha” escola e nem a “nossa” escola, existe “a” escola. Para ser um bom educador é essencial que não se sinta parte da instituição. Em momento algum, desde o planejamento até a avaliação não se pode sentir-se como eu e nem como nós. O professor para poder saber levar a reflexão deve estar de fora, observando toda a movimentação do corpo docente, discente e administrativo. Assim terá subsídios para questionamentos que levam à reflexão. O fato de estar de fora poderá contribuir para a qualidade da interferência. É uma forma de se conseguir um trabalho com maior objetividade e em consequência disso, com menor subjetividade. Objetividade e subjetividade são apenas modelos. O que há são trabalhos com mais objetividade e menos subjetividade e vice-versa.

Nessa visão o professor é um observador, é um cientista social em constante pesquisa pedagógica: levantando questões, formulando hipóteses, observando, recolhendo material, fazendo tabulações, tirando conclusões e compartilhando com a comunidade escolar, contudo sempre, sem sentir-se parte dessa comunidade para evitar influências que podem interferir no trabalho de pesquisa.





São os estudantes que elaboram seus projetos escolhendo o tema do interesse de cada um, levantam questões a serem respondidas, formulam hipóteses, recolhem material, fazem tabulações, tiram suas conclusões e compartilham com a comunidade escolar, utilizando dos recursos que possuem e sabem usar. O professor observa. Observa e induz a reflexões para crescimento do trabalho e do ser. E a avaliação nada mais é que a reflexão do professor do quanto ele foi capaz de levar o outro à reflexão. E o professor responde ao questionamento do estudante sempre que solicitado. E a resposta é dada diretamente a quem perguntou, ao interessado pela resposta. É um trabalho personalizado, com atividades contextualizadas.


Interdisciplinaridade

A intedisciplinaridade vai muito além das disciplinas tradicionais do currículo escolar: Língua Portuguesa, Matemática, História, Geografia, Ciências, Artes, Física, Biologia, Química... A interdisciplinaridade vai muito além das ciências exatas e das ciências humanas, além do raciocínio indutivo e dedutivo, dando ênfase ao raciocínio analógico. Se antes se falava de uma interdisciplinaridade no campo epistemológico, no campo da teoria, e que se pensava apenas em um currículo interdisciplinar; hoje já se fala de uma interdisciplinaridade no campo antropológico, no campo da prática, de ações didáticas e pedagógicas, envolvendo tanto o plano de curso como o plano de aula.

O conhecimento é construído em uma relação com o social, o natural e o cultural, de uma forma global, numa rede infinita de relações complexas que lhe dá sentido e significado. Essa consciência da realidade se constrói num processo de interpretação dos diferentes campos do saber, daí a necessidade da confrontação de olhares plurais na observação da situação de aprendizagem.

Para Carlos (2013) interdisciplinaridade significa a interatividade entre as disciplinas ou áreas do saber. Há nessa metodologia cooperação e diálogo entre as disciplinas do conhecimento, na perspectiva de se responder às questões e aos problemas sociais contemporâneos.

Para Valério (2010) a interdisciplinaridade é como um movimento que possibilita o diálogo entre os seres humanos e os saberes. Ela favorece a abertura do olhar em direção a um mundo cada vez mais complexo e globalizado. Através dela pode-se fazer uma leitura de mundo que favorece a compreensão do mundo de uma maneira integral e total, num processo de reflexão e reformulação contínua. E essa reflexão sobre a realidade propicia a construção de sujeitos produtores de história e cultura.

Para Varella (2010) só se adquire autoconhecimento e participação com o outro através da livre expressão.

Para Ferreira (2010) a interdisciplinaridade é a abertura ao diálogo com o próprio conhecimento e se aprende praticando ou vivendo.

Na metodologia interdisciplinar o conhecimento é provisório e incompleto, está sempre em construção, e a avaliação é um processo contínuo em que a ênfase é na hipótese e não no certo ou errado. Nessa concepção de avaliação, tanto os estudantes, como os professores e a instituição escolar têm a possibilidade de rever a sua prática constantemente.




TEXTO EM CONSTRUÇÃO


REFERÊNCIAS

CARLOS, Jairo Gonçalves. Interdisciplinaridade no Ensino Médio: desafios e potencialidades. Disponível em <http://cursos.unipampa.edu.br/cursos/ppge/files/2010/11/interdiscipllinaridade1.pdf>. Acesso em 3 mar 2013.

CARMO, Josué Geraldo Botura do. Pesquisa Pedagógica. Educação&Literatura. 2011. Disponível em <http://educacaoliteratura.com.br/index%20202.htm> Acesso em 10 Fev. 2013.

FAZENDA, Ivani Catarina Arantes. KIECKHOEFEL, Leomar. PEREIRA,  Luiza Percevallis. SOARES,  Arlete Zanetti. Avaliação e interdisciplinaridade. In: Interdisciplinaridade. R. Interd., São Paulo, Volume 1, número 0, p.23-37, Out, 2010. Disponível em  <http://www.pucsp.br/gepi/downloads/revista_gepi_201011.pdf>.Acesso em 3 mar. 2013.

FERREIRA, Nali Rosa Silva. Currículo: Espaço interdisciplinar de experiências formadoras do professor da escola de educação básica. In: Interdisciplinaridade. R. Interd., São Paulo, Volume 1, número 0, p.11-22, Out, 2010. Disponível em  <http://www.pucsp.br/gepi/downloads/revista_gepi_201011.pdf>.Acesso em 3 mar. 2013.

FUNDAÇÃO Darcy Ribeiro. Interdisciplinaridade. Disponível em <http://www.fundar.org.br/temas/texto__7.htm>. Acesso em 3 mar. 2013.

VALÉRIO, Rosangela Almeida. Ilustração do texto verbal: uma leitura interdisciplinar. In: Interdisciplinaridade. R. Interd., São Paulo, Volume 1, número 0, p.38-46-55, Out, 2010. Disponível em  <http://www.pucsp.br/gepi/downloads/revista_gepi_201011.pdf>.Acesso em 3 mar. 2013.

VARELLA, Ana Maria Ramos Sanchez. A resliliência e a interdisciplinaridade. In: Interdisciplinaridade. R. Interd., São Paulo, Volume 1, número 0, p.38-44, Out, 2010. Disponível em  <http://www.pucsp.br/gepi/downloads/revista_gepi_201011.pdf>.Acesso em 3 mar. 2013.